
Eis o anúncio do Comitê Paraolímpico Canadense. Poderia parar o post por aqui. A imagem é auto-explicativa. Impecável, imparável.
Fico com uma sensação de felicidade quando vejo algo brilhante. É o caso. Quando recebi a imagem, juro, fiquei uns cinco minutos olhando os detalhes e pensando nesse tipo de gente. Que transforma a tragédia pessoal em um novo objetivo. Que se reinventa para sobreviver através do esporte.
Sigo sem entender como o Brasil se transformou em uma potência paraolímpica. O país que não dá acesso mínimo ao deficiente se tornou eficiente no esporte. Talvez o esporte seja uma rara possibilidade de redenção em um país sem rampas, que dificulta a vida de quem se locomove com dificuldades. Sei lá, só sei que somos bambas nisso. Alguém tem uma hipótese melhor?

Muitas, muitas provas. Nosso mercado de corrida cresceu e se multiplicou. Por todos os lados. Corridas curtas, longas, fáceis ou difíceis. Convencionais e diferentes. Mostrar algo a mais é o desafio. Nesse aspecto, organizar corridas noturnas é um bom caminho. São poucas, e por isso atraentes. Só que há um preço a pagar, o grau de dificuldade aumenta, e muito. A escuridão é parceira e vilã ao mesmo tempo. O organizador se expõe, não tem jeito. O leitor Adriano Silva me mandou um longo email sobre a Fila Night Run do sábado no autódromo de Interlagos. Não estava lá, não vi. Abaixo, um resumo do Adriano em cinco pontos.
"1) Demora na largada. A largada estava marcada para as 20h. Mas só foi autorizada às 20h30.
2) A ideia de separar os corredores por blocos de acordo com o tempo de cada atleta é boa. Mas, com a desorganização da prova, simplesmente os blocos deixaram de existir. Minutos antes da largada, a organização da prova simplesmente ignorou a divisão por blocos. Até mesmo o chamado Bloco Quênia (atletas com melhores tempos, alguns deles até profissionais) se viram misturados na largadas com atletas de todas as demais categorias. Eu, que estou longe de ser um atleta "Quênia", me senti constrangido por eles. Todos os atletas saíram embolados, se acotovelando e se empurrando.
3) E, por falar em largada, o que era aquela placa de medição do tempo solta logo na largada? A placa também provocou novos empurrões, cotoveladas e atropelamentos entre os corredores. E ainda não estávamos nem nos primeiros metros de prova...
4) Bom, era a Fila Night Run, certo? Então por que, na maior parte do circuito, simplesmente não havia iluminação? Aí uso como referência a Energizer Night Race, realizada 15 dias antes. Prova realizada na USP, com os mesmos problemas de iluminação. Entretanto, como parte do kit básico, todos os corredores usavam uma headlamp. A organização da Fila Night Run também poderia ter incluído no seu kit esse item.
5) E o final da prova de 5 km? Uma funcionária gritando "10 km para a direita. 5 km para esquerda"? Isso é organizar? Por que não havia placas indicando a direção que os corredores deveriam tomar? E por que os corredores tiveram que correr em meio à grama, com lama? Vi vários corredores caírem por conta desse "atalho" inventado pela organização da prova. E ainda os corredores dos 5 km tiveram que percorrer os últimos metros em meio às tendas das equipes e em frente ao palco onde aconteciam shows e performances e nenhum funcionário da prova para indicar a direção a ser tomada. Novamente, todos estiveram expostos a acidentes por um detalhe besta que seria facilmente evitado, caso houvesse organização."
Pronto, desabafo feito. Adriano Silva lançou o debate. Alguém mais aqui participou da prova? Ou tem algo a dizer sobre as provas noturnas?
Sérgio Xavier Filho já correu de tudo. Do cachorro, da mãe que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, seis maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 45 anos, dirige um núcleo de revistas da Editora Abril que tem Runner’s World, Placar, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Guias Quatro Rodas. Escreveu o "Operação Portuga", comenta na Bandnews FM e dedilha umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter.
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