Razão de escrever

      “Felipe Arakawa - CAMPINAS (18/06/2013 @ 08:58)

      Gente, GPS não marca certo, esse tipo de GPS que usamos não tem precisão, é apenas referência. Eu já sabia que daria a mais no GPS e calculei o quanto deveria correr a mais, batata, meu Sub-3h veio certinho. O sistema que utilizamos, que é o americano(NAVSTAR GPS), possui 4 tipos de sinais: P, CA, L1 e L2. P = exclusivo militar (precisão de milímetros). L1 e L2 = engenharia (precisão de 1 centímetro ou menos). L1 = engenharia (precisão de 1 metro ou menos). CA = nosso relógios (precisão de dezenas de metros).”

 O comentário do Felipe é uma das razões pela qual eu escrevo todo santo dia (tá bom, 5 por semana) aqui. Dá trabalho pensar todo o dia em um tema, pesquisar quando necessário, escrever e postar.

      Li o comentário do post sobre a maratona de Porto Alegre e resolvi não deixar isso passar batido. Eu ofereço uma maçã e volta uma “tarte tatin”. Dividir conhecimento é uma forma de generosidade. Foi exatamente o que fez o Felipe.

      A outra razão que me motiva é o ambiente interiorano do blog. No nosso mundo extremamente individualista, um não quer saber do outro. Cada um tem suas coisas, quer voltar logo pra casa, o outro simplesmente não existe. Aqui não. As pessoas botam as cadeiras na rua, sentam e conversam. Contam como foram as provas, treinos, compartilham histórias. Falam e escutam. Eu vibro, de verdade, quando leio a frase “eu não costumo comentar aqui, mas hoje…” É mais um que botou a cadeirinha na rua no fim de tarde.

Cruvilômetro

      Eu, você, todos nós. Somos chegados a pequenas ou grandes maluquices. Manias, mandingas e quetais. Quanto mais corridas participamos, mais maluquetes ficamos. Como é esporte, malucos-beleza, claro.

     Tem uns mais graduados. Com a palavra, nosso confrade Marcos Cruvinel.

     “Ouvindo no fim de semana o ‘Senta a Bota’ do Iberê,  reforcei meus conceitos sobre a teoria da relatividade na corrida.

     Segundo o Zico (treinador gaúcho entrevistado), o percurso da maratona de Porto Alegre é quase totalmente plano com menos de 500 m de subidas.

      Digo eu, que corri por 3 anos consecutivos lá (2009/10/11), que isso certamente não foi minha visão. À minha percepção, a prova é toda cheia de pequenos aclives e declives e algumas curtas subidas e descidas de inclinação médias. O que faz com que não se consiga manter um pace muito regular ao longos dos kms. E isso é importante, pelo menos para mim. Diferentemente de Berlim, que não tem subida mesmo e se o pé do sujeito estiver calibrado um km sai igual ao outro do início ao fim. Se bem que para comprovar minha tese da relatividade, meu cunhado achou que os 2 últimos km em Berlim são de subida...

      Outra aspecto da teoria é o Cruvilometro, conhecem?

      Na matemática, 1 km é igual a 1000m, na corrida, quase nunca. Ai é que entra o Cruvilômetro.

      Quando comecei a correr com GPS, já na primeira prova ele me derrubou. O motivo é francamente conhecido, ele tem uma margem de erro que, para quem corre muito focado do pace, é muito significativa. Três segundos por km, apesar de pouco para muitos, é muito para alguns poucos. Estou inserido nestes últimos a considerar que a diferença de 3:59min/km e 4, ao final de 10km, é de mais ou menos 1 ano-luz! O mesmo vale para 4:15 e 4:16min/km ao fim de 42,2km , e vários outros exemplos. Então ao fazer os treinos de ritmo para maratona baseando-se no GPS nunca se sabe se você está no ritmo certo para atingir seu objetivo ou passar a 1 ano-luz dele. Para solucionar este problema criei o Cruvilômetro. 

       Ao se somar a margem de erro do GPS, da marcação da prova e da diferença entre o trajeto que o bendito cara da bicicleta faz e o que você faz, um Km nunca é igual a 1000 m. Após várias experiências seguindo os mais rigorosos padrões científicos, cheguei a conclusão que na prova quase sempre 1 km é menos que 1020 m. Sendo então esta medida a do Cruvilometro. Coloco o autolap do GPS em 1020m (1 Cruvilômetro) e vou medindo a média das voltas. Daí para frente, é sentar a bota nos treinos. Exemplo, usando números fáceis: se a média está em 4min/km tem-se a quase certeza que você treinou ou está treinando nesta média ou um pouquinho melhor. Na prova, a mesma coisa, quase certeza de estar dentro da meta. Venho correndo utilizando Cruvilômetro já há alguns anos. Foram várias provas, até hoje ele não me decepcionou. Atualmente, uso ele até a esteira com o foot pod. Diferente de usar o autolap em 1000 m que é certeza de fracasso.”

Fotos: www.runnersworld.com, stockimage e divulgação

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SobreAutor
Sérgio Xavier Filho já correu de tudo. Do cachorro, da mãe que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, seis maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 45 anos, dirige um núcleo de revistas da Editora Abril que tem Runner’s World, Placar, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Guias Quatro Rodas. Escreveu o "Operação Portuga", comenta na Bandnews FM e dedilha umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter.
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