Quino megasena

Talvez tenha sido no quilmetro 17, ou no 22, no lembro. Sei que l pela metade da Maratona de Buenos Aires damos um milho de voltinhas pela regio de Puerto Madero. Um lugar curioso, na beira do Rio da Prata. Os galpes dos restaurantes chiques so bem conhecidos, mas tem de tudo no bairro. Armazns velhos, prdios modernssimos de escritrios, condomnios bacanas, casinhas, de tudo. E tem uma casa grande que foi a sede de uma cervejaria artesanal nos anos 80. E que hoje o Museu do Humor. Grande ideia, o humor merece uma casa que seja s sua. ele que nos salva do dia-a-dia massacrante, ele que faz a vida ficar muito melhor. E os argentinos so timos no tema. O humor argentino rico em ironia, inteligente, sempre gostei.

Um dos meus maiores dolos na vida se chama Joaqun Lavado, mais conhecido como Quino. No dia seguinte Maratona de Buenos Aires desafiei o cansao das pernas para conhecer o tal Museu do Humor e ver uma mostra dos 50 anos de Mafalda. Pois a menininha gorduchinha de Quino se tornou uma senhora. Nem parece. Mais jovem do que nunca.

Estou contando tudo isso porque na quarta-feira passada abriu a exposio "O Mundo Segundo Mafalda" no centro de So Paulo (Praa das Artes, Avenida So Joo, 281). Imperdvel. Poucos contaram to bem a histria recente da Amrica Latina e do mundo como Quino. No s pela ingenuidade disfarada de Mafalda. Mas pelos cartuns avulsos, pelas pequenas historietas, o humorista falou de ecologia, militarismo, liberdade, revoluo dos costumes. Fez aquilo que pouqussimos conseguem. Foi local e universal. O argentino lia aquilo sem saber que aqueles mesmos desenhos funcionavam maravilhosamente no Brasil, no Canad, na Austrlia...

O cansao da maratona sumiu naquela segunda-feira. Quino est com 82 anos, segue sendo um dos meus heris.

L vem o Pato...

Quando estive na Nike em Portland muita coisa me chamou a ateno. Prdios modernos, uma academia incrvel, quadras de esporte, um campinho de futebol que dava vontade de pastar, o Ronaldo Fields.

Mas o que realmente me chamou foi a pista de atletismo. No meio das rvores, como voc v na foto. Pista de 400 metros s podia ter um nome: Michael Johnson.

Um gnio. Seu recorde nos 200 metros durou 12 anos, de 1996 a 2008. E nem foi batido por um ser humano, foi o ET Usain Bolt quem buscou os 19s32 do Michael. Mas os 400 metros seguem a procura de um desafiante eficiente. Desde 1999. So 14 longos anos, portanto. Quem busca os 43s18 dele obtidos em Sevilha? Fora a marca dos 4 x 400 metros alcanados pelo time americano de 2min54s20. bvio que uma das pernas do revezamento era ele. O cara tem quatro ouros Olmpicos em Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sidnei-2000, fora as oito medalhas de ouro em Campeonatos Mundiais. Ele corria estranho, parecia um pato. Mas corria demais.

Monstro. E ele estava aqui no Brasil dando consultorias na BM&F e entrevistas. A mensagem mais importante diz respeito a Bolt. Ele acha que o jamaicano (ou marciano, como queiram) segue favorito para o Rio 2016, s que os recordes ficam cada vez mais improvveis. J achei que Bolt poderia tentar se aventurar nos 400 metros e encarar a lenda Johnson. At agora nada. O simptico Michael continua sorridente. Foi bacana dar um trotinho (mesmo de cala) na pista que leva o nome dele. Pisar na raia que ele pisou, quem sabe, siga me dando sorte na vida.


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SobreAutor
Srgio Xavier Filho j correu de tudo. Do cachorro, da me que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, nove maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 47 anos, dirige Playboy e Men's Health da Editora Abril, alm de ser colunista da Runner's World e da Placar. Escreveu "Operao Portuga", "Correria" e comenta na Bandnews FM. Dedilha ainda umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter. Seu email o sxavier@abril.com.br.
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