
Já contei aqui no blog sobre o médico-monstro que pretende fazer mais de 50 maratonas em um único ano. Doutor João Gabbardo, porém, não está sozinho. Recebi um email semana passada de um ilustre assinante nosso de Uberlândia, o incansável Nilson Paulo de Lima. Não por acaso, chapa de Gabbardo. Nílson, que já está na faixa dos 60 anos, fez só o seguinte: de 28/11/2009 a 31/1/2010 ele concluiu 13 maratonas e de brinde a meia da Disney. Deixo que ele mesmo conte a aventura:
"Para o Dr. Kenneth Cooper, criador do teste de Cooper, bastava apenas de 3 a 5 quilômetros de 3 a 5 dias por semana, para se manter condicionado. “Qualquer pessoa que corra mais que 25 quilômetros por semana está correndo por outras razões, não para manter a forma”, admite o médico. Mas, para o corredor sempre há outras razões. Correr com 17 mil pessoas pela bela região de Miami Beach, assistir a própria largada ao vivo em um telão frente à Arena, o templo do sagrado do basquete americano, e ser ovacionado pelo percurso durante a prova, pode ser uma explicação. Em Missouri, corremos as 2h30h da tarde, para fugir da neve. Agora, para evitar o calor da Flórida, largamos às 6h da manhã, na Maratona Internacional de Miami. A prova realizada no domingo, com a impecável estrutura das grandes maratonas, encerra o ciclo de 14 provas que realizamos em pouco mais de 2 meses nos USA. Ainda, sobre as recomendações do Dr. Cooper e a falta de resposta para tanto esforço, ao ser perguntado repetidamente, por que motivo submeter o corpo ao risco extremo para escalar o Monte Everest, o alpinista britânico George Mallory, simplesmente replicou: “Porque ele está lá”.
Assim, ao percorrer 16,3 mil quilômetros em 25 estados americanos, durante 65 dias e concluir 570 quilômetros de provas, (13 maratonas e uma meia) juntos e em momentos diferentes com a querida Silvana e os amigos, Hideaki, João Gabbardo, Sabine, Ésio, Solane, Rogério, Áureo, Amorim, Rodrigo, Marcos e Assunta também me vejo sem resposta. E, ao retornar para casa, cada um com sua história pessoal, me remeto novamente à seguinte reflexão: 'A vida não é uma viagem para a cova com a intenção de chegar a salvo, num corpo bonito e bem preservado, e sim aterrissar lá derrapando, bastante usado, completamente gasto e poder proclamar bem alto: Ufa! Valeu a pena, que viagem!'"
Ufa. Cansei só de ler. Mas confesso que fiquei imaginando uma série de lesões no grupo. Perguntei a ele sobre a contabilidade da enfermaria. Eis a resposta, e mais abaixo o listão da correria de Nílson em apenas dois meses.
"Não tivemos nenhuma lesão no grupo, no meu caso fiz as provas no ritmo habitual, abaixo de 4, algumas na casa de 3:30h, melhor tempo 3:29h na Georgia, (3 graus). Atribuo a minha falta de lesão aos seguintes aspectos:
a.- Uma boa base de fortalecimento muscular (Pilates e Musculação continuada);
b. - A temperatura baixa, (várias provas abaixo de zero grau); não é raro ter lesões no calor do Brasil.
c. - Variação de piso, com algumas provas fora do asfalto;
d.- Alimentação e suplementação orientada (tenho disciplina neste aspecto)
e. - quanto ao tênis adequado não merece comentários."
Listão da correria

Ufa! Acho que foi a capa que deu mais trabalho até agora. A foto foi incrivelmente fácil. O nosso modelo corredor Rangel corre fácil, é do ramo, entendeu na hora o que o nosso fotógrafo Renato Pizzutto estava pedindo. Só sofreram um pouco com o calor, ambos quase derreteram.
O problema veio a seguir. Tínhamos uma matéria bem interessante sobre distâncias. As vantagens de correr provas variadas na mesma temporada. Como uma pode ajudar na outra. A reportagem funciona também para quem só quer correr os 5 km ou apenas a maratona. Oferecemos as planilhas todas, acreditamos que o pacote estava bem atraente.
Muito bem, mas precisávamos contar isso para o potencial leitor que passa os olhos sobre a gente em um movimento de segundos. Naquela poluição visual toda da banca, temos que vender rapidinho nosso peixe. Mensagem clara e curta. A missão de nosso diretor de arte Rodrigo Maroja era colocar em destaque as distâncias. Agora, prontinho, parece fácil e óbvio. Não foi. Tentamos juntar distâncias na mesma linha, ficou tudo embolado, parecia número com vírgula. Foram ao menos umas dez tentativas até chegarmos aí. Gostamos do resultado.
A revista de fevereiro merece outros destaques. A reportagem sobre o sono, uns segredinhos sobre gelo e recuperação de lesões, aprofundamos a polêmica do correr descalço, contamos sem pressa a emocionante história do canadense Terry Fox. A matéria sobre correr na rua considero obrigatória para todos que enfiam o tênis no asfalto. Não costumo falar muito de agenda, mas essa está especial. Falamos da maratona de São Paulo, da nova meia mineira, da mini carioca e de quatro maratonas do “B” internacionais. Tem mais, tem coisa polêmica deixo isso para depois...
Sérgio Xavier Filho tinha 42 anos e achava engraçada a coincidência númerica com os 42 quilômetros da maratona. Perdeu a piada e mais alguns fios de cabelo quando completou 43 anos. Desde novembro de 2008, acumula o comando da Placar e da Runner's World no Brasil. Já correu dezenas de 10 km, várias meias, quatro maratonas e um tantão de provas de revezamento.
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