
Hoje nosso valoroso Maurício Barros escreve. A história é boa demais. Diz aí, Mau...
“A fonte é quente. Treinador do primeiro time do atletismo brasileiro. Ele me disse que é preciso montar um esquema especial para preservar os maratonistas às vésperas da prova olímpica. Como se sabe, a maratona dos Jogos acontece justamente no último dia da competição. O climão de fim de festa já se espalhou pela cidade-sede. Ruas, praças, locais de eventos. E é claro, essa atmosfera também baixa sobre a Vila Olímpica. É aí que mora o perigo.
Os três, quatro últimos dias na vila dos atletas, explica o treinador, são como um grande cruzeiro do amor. A maioria entre centenas de atletas já competiu. Está de folga, zanzando pra lá e pra cá. Corpos perfeitos circulando ao sol do verão. Bíceps. No ápice da juventude. Quadríceps. Longe de casa. Pimpões. Garotos e garotas do mundo todo loucos para confraternizar. Cores, raças, crenças. E você sabe, não dá pra segurar a natureza. O resultado é uma pegação generalizada. Bacanal, suruba, bundalelê, chame você do que quiser. Aquecimentos, alongamentos, tiros, longões... Rola de tudo nos apartamentos. Não por outro motivo, já é tradição o Comitê Organizador distribuir caminhões de camisinhas aos atletas (serão 150 mil preservativos em Londres, segundo anunciado em janeiro). Recordes atrás de recordes batidos pela rapaziada feliz. Mas os maratonistas...
Bem, aqueles pobres magrinhos ainda esperam sua vez de competir. São como cachorros catatônicos em frente a frangos de televisão. De olho em tudo, não podem sequer pensar naquilo. Nesses últimos dias, onde seus pares de outras modalidades se dedicam ao nobre esporte de Eros, eles vivem justamente sua TPM (tensão pré-maratona). Hora de concentração máxima. Foco total. Nem pensar em...
Por isso mesmo, esse treinador não escondia a satisfação quando me contou que, em Londres, será possível afastar os maratonistas dessa tentação toda. O Brasil terá um centro de apoio em um parque esportivo da cidade, com pista, refeitório, alojamento, academia. Será possível abrigar parte da delegação nesse lugar. Longe da Vila Olímpica. Nossos maratonistas certamente se hospedarão ali. Se estarão contentes, aí é outra história...”
Fotos: StockImage, menshealth.com e runnersworld.com
Sérgio Xavier Filho já correu de tudo. Do cachorro, da mãe que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, seis maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 45 anos, dirige um núcleo de revistas da Editora Abril que tem Runner’s World, Placar, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Guias Quatro Rodas. Escreveu o "Operação Portuga", comenta na Bandnews FM e dedilha umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter.
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