Antes que venha o primeiro processo (Saulo e Iberê, do ramo, tenho certeza, não me deixariam muito tempo enjaulado), já vou explicando: não estou acusando nosso companheiro de blog Doca que treina com o Marcos Paulo Reis.
No post passado, o Doca fez uma pergunta bem interessante sobre calor e treinos que repriso aqui:
“Tenho uma dúvida. Dizem que é bom treinar no calor para uma corrida num lugar mais frio (treinar entre 25 e 30 graus pra correr de 7 a 15). É claro que nosso ganho na prova vai ser bom, mas e se o treino for na mesma temperatura da corrida, não vamos estar melhor preparados? Menos desgastados dos treinos?”
Já chegarei ao doping. A gente despreza o calor. Negligencia mesmo. Quantas provas já fiz com uma meta traçada em condições aceitáveis e, ao perceber o calorão, corri do mesmo jeito? Várias, em quase todas quebrei a cara e tive uma queda de rendimento. Acho que entender melhor esse processo só traz benefícios.
A pergunta do Doca é excelente e a resposta me leva a história de doping. Explico. Essa última descoberta do doping no atletismo brasileiro, evidenciou o jeito mais moderno de alcançar resultados de forma ilícita. A malandragem está se dopando no treino, não na prova, quando os controles são mais rigorosos. As EPOs da vida garantem melhor aproveitamento do treino, recuperação mais rápida, etc. Depois corta-se o doping e o sujeito vai "limpo" e mais forte para a prova. Funciona mesmo, desde que alguém não dê com a língua nos dentes e o controle anti-doping apareça de surpresa no treino.
Finalmente chego à pergunta do Doca. Treinar no calor é o doping ao contrário. O verdadeiro doping português (retiro o que acabei de escrever, agora que Portugal está no Grupo do Brasil não quero mais confusão com ninguém). O eventual ganho em adaptação à temperatura mais elevada vai para as cucuias com a queda de aproveitamento no treino. Bem melhor escolher as primeiras (ou as últimas) horas do dia para fazer um treino mais forte e colher os resultados na prova.
20 Comentários:
Gerrit - SP (07/12/2009 @ 10:53)
Sérgio, quase esqueci de te contar, mas você acredita que fiz este sabado uma corrida fora do bunker? Foi na praia de Enseada em Guarujá. Para minha surpresa, ninguem ( fora do meu sogro ) me reconheceu. Voltando para o assunto, lá na praia, os melhores tempos neste percurso de 11.5K consigo nos dias com uma chuvinha leve e não tão quente. Quando faz muito calor, chego a 'perder' uns 15 - 20 segundos por km em comparação com o recorde pessoal neste percurso. []s
Gerrit - SP (07/12/2009 @ 10:53)
Sérgio, quase esqueci de te contar, mas você acredita que fiz este sabado uma corrida fora do bunker? Foi na praia de Enseada em Guarujá. Para minha surpresa, ninguem ( fora do meu sogro ) me reconheceu. Voltando para o assunto, lá na praia, os melhores tempos neste percurso de 11.5K consigo nos dias com uma chuvinha leve e não tão quente. Quando faz muito calor, chego a 'perder' uns 15 - 20 segundos por km em comparação com o recorde pessoal neste percurso. []s
Gerrit - SP (07/12/2009 @ 09:51)
Nada scientifico, mas eu acho que treinar no calor frustra demais ( já que a gente sofre, e o pace fica 'lento' ), e não permite a gente tirar todo aproveitamento do treino ( batimento, respiração, força muscular ). Ok, a prova parece bem mais leve, mas isto não quer dizer que conseguimos maximizar o rendimento. A unica vantagem de treinar no calor ( só as vezes ) que vejo, é para conhecer os limites do nosso corpo, e se um dia tivemos que correr com 30o C saber reconhecer os sinais.
Gerrit - SP (07/12/2009 @ 09:51)
Nada scientifico, mas eu acho que treinar no calor frustra demais ( já que a gente sofre, e o pace fica 'lento' ), e não permite a gente tirar todo aproveitamento do treino ( batimento, respiração, força muscular ). Ok, a prova parece bem mais leve, mas isto não quer dizer que conseguimos maximizar o rendimento. A unica vantagem de treinar no calor ( só as vezes ) que vejo, é para conhecer os limites do nosso corpo, e se um dia tivemos que correr com 30o C saber reconhecer os sinais.
Marcel Pracidelle - São Paulo (06/12/2009 @ 22:02)
Corro atrás de performance, mas tbm não corro para sofrer, correr com sol a pino, só se estiver me preparando para a Badwater, ou uma São Silvestre, quem sabe.
Morgado - São Paulo (06/12/2009 @ 18:30)
Nesse assunto, fica claro o papel do calor sobre o nosso desempenho. No post passado eu comentei que o meu desempenho fica bem prejudicado quando, sob essas condições, o meu batimento médio sobe de 10 a 12bpm pra um aumento de 10C na temperatuda. Mas mudando um pouquinho o foco da discussão, meu desempenho é diferente quando eu treino de manhã, se comparado com os treinos noturnos, sob as mesmas condições. Alguém aqui “sofre do mesmo mal”?
Aguina - São Paulo (06/12/2009 @ 16:07)
Gosto de correr quando tenho duas horas de almoço. Também gosto do esforço, de sentir o sol, mas com protetor e correr até o parque Villa Lobos, 34 minutos para chegar e mais 29 para voltar. Dá para dar uma volta dentro de 15 minutos e fazer exercício. O parque do Morumbi tem subidas memoráveis e as árvores escondem totalmente o sol. Vc acha que está num túnel de árvore. No asfalto tem uma subida cruel, mas ótima
Abs
Jader - Florianópolis (06/12/2009 @ 13:56)
Lendo esse último post surgiu uma dúvida um pouco fora desse contexto. Atualmente estou morando no Maranhão e aqui as chuvas nessa época passam a ser frequentes, como passei a ler a revista a partir de setembro (não assino pois prefiro ter o prazer de comprar a revista na banca assim já me deparo com outras novidades) e de cara aceitei a sugestão da revista e comprei o tenis que la tinha como sugestão. Gostaria de saber se é o mesmo tenis que uso em dias secos ou chuvosos ou se tem alguma diferença?
Estela Marcondes - São Paulo (06/12/2009 @ 13:02)
Nos meus treinos, a influencia da temperatura no rendimento é muito relativa! Se, por exemplo, estiver 18°, o tempo nublado, um dia feio e eu treinar sozinha, num percurso "sem graça", com certeza meu rendimento vai ser menor do que se for um treino a 28°, junto com o meu grupo de corrida, com companhia, num sábado ensolarado! Para mim, o tempo muito abafado piora o rendimento, sim, mas os outros fatores influenciam ainda mais!
Em relação a treinar em condições adversas para melhorar o rendimento no dia da prova, acho que não tenho uma opinião formada! Na verdade, acho que São Pedro cuida disso!!! rsrsrsrs! Pelo menos em São Paulo, as mudanças de temperatura são muito freqüentes, o que, por si só, já faz com que o corpo tenha que se adaptar a diferentes condições =)
Sérgio Xavier - Runner`s (06/12/2009 @ 11:23)
Falei, falei e não deixei claro minha opinião. Para se preparar melhor para qualquer prova (quente ou gelada), treine na melhor temperatura possível. Para não tomar um susto com o calor no dia da prova, faça algumas sessões no horário da corrida (mas nada de treino importante, os tiros merecem temperatura melhor). O Mário Sérgio me contou que seus atletas nordestinos fazem os longos sempre cedíssimo ou tardíssimo, o treino rende muito mais.
Quanto a parte jurídica do post, fico cada vez mais assustado. Tem muito doutor aqui no blog, se bobear nas palavras, vou facilmente em cana...
Felipe Carino - Niteroi, RJ (05/12/2009 @ 21:42)
1) Treinar no calor tô fora, independente da temperatura que estará no dia da prova; 2) Quanto ao papo jurídico, delenda cartago (como diria Catão!).
Tadeu Góes - Sorocaba (05/12/2009 @ 19:23)
"péssimos antecendetes e conduta social absolutamente perniciosa....": os péssimos antecedentes devem ser alguns tempos ruins no passado ou contusões recentes ? e a conduta deve ser a tentativa, como praticante e editor da RW, de induzir outras pessoas ao vício (da corrida) ?
Então Sérgio, de minha parte, estás absolvido! Tenho dito.kkkkkkkkkkkkkk
Iberê - SP (05/12/2009 @ 18:47)
Sérgio: péssimos antecendetes e conduta social absolutamente perniciosa tornam impossível a concessão da liberdade provisória. Vê alguma chance, Saulo? Quanto ao calor, já ouvi história de um atleta que colocou a esteira numa sauna, para se preparar para a Badwater. Depois de duas semanas de calor e umidade insanos, treinei ontem pela manhã no Ibirapuera, com mais civilizados 21ºC. Para mim, ainda é quente. Mas, para quem havia treinado com 30ºC na quarta (estou considedrando a marcação do termômetro da Manoel da Nóbrega), estava muito bom. A diferença no rendimento é notória. Mas acho importante fazer ao menos alguns treinos em condições similares às da prova (horário, temperatura, terreno, altimetria etc).
Mateus - São Paulo (05/12/2009 @ 17:56)
Ô Paulo, a USP tava uma delícia hoje mesmo, temperatura boa e pra quem foi correr cedo, pouca gente. Correr no calorão pra mim só se eu fosse disputar a Maratona das Areias no deserto ou coisa parecida. Se posso, evito. O fato é que o clima tá tão louco que ás vezes é inevitável. Essa de quebrar com o calor quase todo mundo que corre a São Silvestre já sentiu. Uma vez tava bem preparado, cheio de marra, saí ligeiro e aos 10k já tava arrebentado. Que tapado né? Abraço pra todos e bons treinos!
Paulo F. Figueiredo - São Paulo/SP - São Paulo/SP (05/12/2009 @ 17:11)
Sérgio, Na minha opinião temos que treinar com as mesmas temperatuas que vamos competir. Para enfrentar o calor da São Silvestre, por exemplo,além do preparo para as subidas, treinar com temperaturas elevadas, apesar do sofrimento, ajuda na perfomance.PS estreiei a Laranjinha hoje cedo na USP com um mini longo de 17KM, e por falar em temperatura, hoje estava ideal: 20C com garoa fina...abraços
Marcelo Assunção - Rio de Janeiro (05/12/2009 @ 16:59)
Calor nem todo mundo sente igual - basta ver a meia maratona mais rápida já disputada em solo brasileiro, que foi no ano passado. Tadese correu abaixo de uma hora em um sol escaldante no Rio de Janeiro. Eu estava lá, corri me segurando para não morrer com o calor. Quando vi o resultado do eritreu, comecei a lembrar do tempo de adolescente, em que corria muito bem no calor. Acho que, quanto mais em forma você está, menos sente diferença nas altas temperaturas. Não sei se faz sentido, espero melhorar minha forma e testar, rs!
Rodrigo Fonseca - Rio de Janeiro (05/12/2009 @ 14:26)
Sérgio, taí mais um motivo prá dormir mais um pouquinho de manhã e correr de noite, quando os termômetros estão em patamares mais agradáveis...
Rodrigo Fonseca - Rio de Janeiro (05/12/2009 @ 14:26)
Sérgio, taí mais um motivo prá dormir mais um pouquinho de manhã e correr de noite, quando os termômetros estão em patamares mais agradáveis...
Aluska Andrade - Macaíba RN (05/12/2009 @ 13:36)
Eu não concordo com isso de treinar em visão da temperatura no dia da prova. Já pararam pra pensar quem é que aguenta treinar todos os dias debaixo de um sol forte? É ruim, desgastante. Saio pra treinar por volta das 6 da manhã e quando estou perto do fim do treino já pego sol forte, já dá pra ir se acostumando com a temperatura alta, agora sair de casa com sol alto não dá.Nunca tive problemas em corridas com a temperatura,só quando a organização falha no abastecimento de água. O meu truque é simples: Em todos os postos de água pego dois copinhos de água bem gelada, bebo um pouco e o resto jogo na cabeça, pra refrescar e levo o outro na mão pra aguentar até o próximo posto. Assim bebendo água e jogando na cabeça, o refresco é imediato. Galera, pode testar que é ótimo.
Leonardo Binda - www.correndonailha.blogspot.com - Vitória - ES (05/12/2009 @ 12:37)
Também acredito que o melhor é correr em horários onde a condição climática é mais favorável, justamente para render melhor e ter mais ganho! Mas é indispensável também fazer uma aclimatação para uma prova! Como eu disse no post anterior, aqui em Vitória quase todas as provas esse ano foram embaixo de um sol muito forte e castigante!! Antes da meia por exemplo eu fiz dois longões na hora da prova, tentando acostumar e fazer o planejamento da hidratação, nutrição e ritmo que eu queria para a prova (tentando simular o percurso também!!). E mesmo fazendo tudo isso, no dia da prova o calor foi tão, tão intenso, com uma humidade tão, tão alta, que eu fiz um tempo com mais de 15 minutos o que havia planejado!! Então, pelo menos para tentar acostumar com o que esperamos, acho que vale a pena encarar um solzinho de uma da tarde na cabeça sim!! (E se chuver ou esfriar no dia da prova, beleza!! É "sentar o bambu"!)