Evolução e harmonia

      Nada contra o carnaval, nada mesmo. Nada contra a praia, muito antes pelo contrário. A combinação dos dois é que me amedronta. Bravos os que encararam horas de congestionamentos Brasil afora para se divertir no feriado.

      Fiz diferente. Foram 36 km em três sessões de treinos. Bons treinos, aliás. Bife de chorizo, pizza caseira, macarrão com frango, tudo caseiro. Uma dívida paga, finalmente resolvi ler O Apanhador no Campo de Centeio de J. D. Salinger. Um livro sobre nada. O enredo vai de parte alguma a lugar nenhum. E é duro parar de ler. O misterioso e recluso escritor revolucionou a literatura ao entrar na cabeça de um adolescente. Isso nos anos 50, ninguém fazia isso. O mundo mudou nos últimos 60 anos, mas as mentes adolescentes continuam tão complexas e contraditórias. Foi ótimo me lembrar disso.

      Vi três filmes, mas me fixarei num só. A Invenção de Hugo Cabret. Só me dei conta da força da história na entrada do cinema. Encontrei a Alê, amiga corredora, um outro amigo cinéfilo, vi de longe o Bruno, artista gráfico e estava com minha filha de 14 anos. Gente muito diferente na mesma sala. Alguém devia estar errado. Quando acabou o filme percebi que estavam todos certos. Era um filme para encher os olhos de qualquer um.

      O livro já é um espetáculo. Algo completamente diferente que mistura literatura, linguagem de quadrinhos, cinema, artes plásticas. 600 páginas com muita ilustração. Pode se ler em umas duas horas. O filme, dirigido pelo Martin Scorcese, não deixou nada a desejar. O filme é uma homenagem ao cinema, aos desbravadores, aos fabricantes de ilusões. E, contraditoriamente, homenageia o cinema mudo com um show de tecnologia, do dolby digital ao 3D. Fazia muito tempo que não via um filme que enchia o meu dia. O ingresso mais barato dos últimos anos. 

7 Comentários:
ROBERSON GUIMARAES - ANAPOLIS (23/02/2012 @ 08:31)
Também fui assistir Hugo Cabret no carnaval. Eu, a esposa e nosso filho de 8 anos. No começo achei que ele (o filho) não iria gostar. Mas, no final, ele todo emocionado com o momento em que o diretor de cinema diz que foi consertado pelo menino órfão, me disse: - Pai, o filme pra ser bom nem precisa ter muita "diversão" né? Ele disse ainda que apesar de triste o filme era muito bom. Não sei até agora se gostei mais do filme ou das conclusões do meu filho. Ah! e também fiz meus treininhos no carnaval: um longuinho, um com tiros em subidas e um intervalado de matar. Carnaval produtivo.
Frotinha - SP (23/02/2012 @ 01:48)
Gosto e curto o Carnaval, intensamente, todos os anos!!! Tradicionalíssimo Carnafrotinha... faltou encontrar muuuuita gente no Rio, uma pena! Na 6a tem cineminha marcado com a patroa, seguirei sua dica!
Frotinha - SP (23/02/2012 @ 01:44)
Gosto e curto o Carnaval, intensamente, todos os anos!!! Tradicionalíssimo Carnafrotinha... faltou encontrar muuuuita gente no Rio, uma pena! Na 6a tem cineminha marcado com a patroa, seguirei sua dica!
Carla - Sp (22/02/2012 @ 21:01)
Assistimos a dama de ferro adorei!!!
Marcel Pracidelle - São Paulo (22/02/2012 @ 17:55)
Levei meus filhos para assistirno sábado, eu gostei muito mais que eles, o Léo ainda gostou, mas achou que faltou umas "lutas", a Bebela ficou paseando pela sala...
Debora Seefelder - Rio de Janeiro (22/02/2012 @ 17:04)
Meu carnaval foi mais q produtivo...um bailinho infantil, dois finais de tarde em familia com amigos, um jantar na casa da mamãe. Os treinos foram turbinados!!! 5 dias de folia, 5 dias de bons treinos. Dois sozinha, um com amigas e dois com meu filhote de 8 anos, que acabou se demonstrando um OTIMO parceiro de treinos. No primeiro treino com ele foram 17K de bicicleta. No segundo, foram 10K, ele na bike e eu correndo. Os dois treinos foram bem diferentes, mas estou muito orgulhosa do meu pequeno, que está com um sorrisão no rosto todo orgulhoso de seus feitos. Acho q vamos fazer disso um habito, pelo menos un treino juntos no final de semana...até a hora q eu não der mais conta de acompanhá-lo.
Eduardo - BH (22/02/2012 @ 12:03)
Também passei o carnaval quieto, em casa. Há muito anos que faço isso, já que eu e minha mulher nunca gostamos de carnaval mesmo. Viajar, prefiro noutras ocasiões. Corri no domingo, segunda e hoje, quarta de cinzas. Também li um bom livro e vi "A Dama de Ferro", um filme razoável, mas que vale, e muito, mas muito mesmo, pela interpretação simplesmente sensacional, aliás, como sempre, de Meryll Streep, sem dúvida, ouso dizer, a maior atriz de cinema dos últimos trinta anos.
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SobreAutor
Sérgio Xavier Filho já correu de tudo. Do cachorro, da mãe que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, seis maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 45 anos, dirige um núcleo de revistas da Editora Abril que tem Runner’s World, Placar, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Guias Quatro Rodas. Escreveu o "Operação Portuga", comenta na Bandnews FM e dedilha umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter.
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