Je ne regrette rien

Quando comecei a montar o time da Runner's, criei uma regra: serão todos jornalistas-corredores. Uma redação em que se respire corrida. Do diretor de arte ao estagiário, todos irão correr. As pautas aparecerão naturalmente. O sujeito iria treinar pela manhã e, no caminho para a revista, bolaria a pauta. Tudo aconteceria naturalmente.
Na hora de escalar o time, porém, o plano começou a ruir. O diretor de arte Rodrigo Maroja acumulou a mesma função na revista Placar. Em um almoço, descobri que meu ex-editor da Placar, Maurício Barros, adoraria vir para a Runner's. Ele, que estava na revista Vip, falou maravilhas da editora Patrícia Julianelli, que trabalhara com ele. Márcio Caparica, que era designer da Men's Health, procurava vôos mais altos e levantou o braço quando soube que estávamos sem um editor de arte. Em entrevistas com candidatos à estágio, gostamos da disposição de uma menina chamada Júlia Zanolli. Para a revisão, a escolha óbvia recaía sobre Renato Bacci que, de vez em quando, me parece trafegar por todas as áreas de conhecimento da espécie humana.
Pois é, nenhum deles corria regularmente. A exceção era o designer Antônio Carlos Castro, que eu roubei da própria Placar. Toni era corredor animado, o perfil ideal. Meu plano tinha ruído antes de começar. A "redação de corredores" nem saiu do papel. Achei que comeria o pão que o diabo amassou. Com oito anos de rua mais umas cinqüenta medalhas de participação em um pote, desconfiei que precisaria ler cada vírgula para descobrir bobagens escritas por quem não era do ramo.
Oito meses depois, descubro o tamanho do engano. Mirei o norte e acertei o sul da bússola. Por duas razões. A primeira e primordial é que nada substitui o jornalista talentoso. Não importa se ele é alto, gordo, tímido, jogador de vôlei, gago, gosta de mandiopan ou novela das oito. Precisa ser bom no que faz. Só isso. O ofício é até simples. Trazer a história e saber contá-la. Conteúdo e visual. Eis o trabalho.
A segunda razão do sucesso da revista talvez tenha sido justamente o "caráter amador" dos corredores. Por não ser do ramo, todos fizeram uma força danada para entender o mundo do corredor. Sem a prepotência dos que sabem e acham que sabem. Tiveram humildade para aprender. Como cantava a melosa Edith Piaff, "Je ne regrette rien", eu não me arrependo de nada. Os não-corredores tinham fôlego de sobra.
11 Comentários:
Felipe Carino - Niteroi, RJ (09/07/2009 @ 01:52)
=( (eu também)
Ruy - Vitória/ES (08/07/2009 @ 12:50)
:(
cecilia - curitiba (08/07/2009 @ 09:55)
JÁ ESTAVA DEMORANDO PARA VOLTAREM COM A HISTORIA DE "camiseta"! Comprem outra no lugar, existem lindas! Alem disso, agora querem EMPREGO.Essa já é demais.
Ruy Barbosa Jr - Vitória, ES. (07/07/2009 @ 18:31)
...essa foto aí é covardia! cadê nossa camiseta???
Gerrit - São Paulo (07/07/2009 @ 16:05)
Sérgio, este comentário não tem nada a ver com a sua equipe, mas é só para reforçar um pedido meu ... hehehehe ( na verdade 2 pedidos, contando o da camiseta também ). No domingo tomei um shot de rapadura pura na veia, e adivinha ... corri um 10K como nunca corri antes. Comecei bem forte, no meio acelerei e terminei mas forte do que comecei. Eu estou muito interessado em saber o que o corredores tomem antes e durante os treinos fortes, meia maratona e maratona. Não quero saber de gel, quero saber de produtos naturais, rapadura mesmo, banana, e este tipo de coisa. Gel ( qualquer marca ) não cai bem, não desce, e quando desce o estomago protesta, me da azia. Minha proxima meia-maratona vou correr com pedras de rapadura no bolso, a água pego no caminho. []s
Gerrit - São Paulo (07/07/2009 @ 16:05)
Sérgio, este comentário não tem nada a ver com a sua equipe, mas é só para reforçar um pedido meu ... hehehehe ( na verdade 2 pedidos, contando o da camiseta também ). No domingo tomei um shot de rapadura pura na veia, e adivinha ... corri um 10K como nunca corri antes. Comecei bem forte, no meio acelerei e terminei mas forte do que comecei. Eu estou muito interessado em saber o que o corredores tomem antes e durante os treinos fortes, meia maratona e maratona. Não quero saber de gel, quero saber de produtos naturais, rapadura mesmo, banana, e este tipo de coisa. Gel ( qualquer marca ) não cai bem, não desce, e quando desce o estomago protesta, me da azia. Minha proxima meia-maratona vou correr com pedras de rapadura no bolso, a água pego no caminho. []s
Paulo F Figueiredo - São Paulo/SP (07/07/2009 @ 12:55)
Sérgio, Sensacional a lembraça do mandiopan no seu texto; essa guloseima é da antiga...e aproveitando o título em francês, no próximo domingo vai acontecer no Jóquei uma corrida promovida pela Câmara de Comércio Brasil França com apenas 7,5km incluindo um sorteio de 1 viagem para França e 1 veículo francês.Além dos premios, o percurso por ser bem curto, será um passeio bem tranquilo pelos arredores...abraços;
Paula - Limeira - SP (07/07/2009 @ 12:35)
Parabéns a essa equipe que é responsável pelo nosso aprendizado de cada dia!!!! Corredores ou não, o que importa é que são jornalistas talentosos... A corrida com o tempo vai começar a fazer parte da vida de cada um... não tem como escapar depois que o bichinho te pega!!! Mas que essa foto só vai fazer voltar a discussão da camiseta, isso vai!!! Quero a minha!!!
Luis Corvini Filho - Campinas E São Paulo (06/07/2009 @ 23:42)
Maurício! Boa noite! Meu nome é Luis Corvini Filho, e fui um dos contribuidores da Runner's de Junho (Mitos da Banana). Tive contato com o Maurício, que me concedeu essa chance bacana! Então deixo aqui novamente meu muito obrigado! Li seu texto e praticamente me senti nele, no aspecto de produzir conteúdo jornalístico e ao mesmo tempo nunca deixar meu pace de 4'/km cair. Tenho certeza que sabe como é isso, uma dupla preocupação DIÁRIA! hehehe. Uma vez aproveitando este espaço, fico sempre na espectativa, como na espera pela sirene de largada de uma meia-maratona (minha prova favorita), de um dia fazer parte dessa equipe de ótimos profissionais e excelentes exemplos de atleta. Independente do pace, do ritmo e da frequência de cada um, só de se dedicar a corrida e ser jornalista ao mesmo tempo, não são muitos no planeta com essa capacidade. Um grande abraço, e Keep Running, em ambos os caminhos! Luis Corvini Filho
Augusto - www.vamoscorrendo.com.br - Piracicaba - SP (06/07/2009 @ 14:04)
Sérgio, quanto mais vejo essa camiseta, mais eu fico com vontade de ter uma! Tá precisando de diretor de arte aí na revista rsrs? Assim consigo uma! Abraço... e vamos correndo!
Gerrit - São Paulo (06/07/2009 @ 11:29)
Acho que um bom jornalista sabe diferenciar entre uma fonte confiável e não confiável. Isto é importante. O 'problema' de um jornalista corredor, pode ser ( não estou dizendo que é ), que talvez este jornalista corredor, acha que é o dono da verdade. Então, o mais importante, na minha opinião, é que os jornalistas gostam do trabalho, conseguem se identificar com o assunto, mas que acima de tudo, sabem achar as fontes confiáveis e sabem traduzir as informações obtidas desta fonte numa matéria interessante e fácil de ler e digerir. O meu objetivo com a revista é extrair informações úteis e interessantes para minhas corridas. Por exemplo, não adianta publicar na revista que o tênis marca X modelo Y é para pronadores se esta informação está no site do fabricante. Precisa publicar o que os usuários sérios acham deste tênis, publicar testes de rua etc. []s e mais uma vez parabéns pela revista.
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SobreAutor
Sérgio Xavier Filho tinha 42 anos e achava engraçada a coincidência númerica com os 42 quilômetros da maratona. Perdeu a piada e mais alguns fios de cabelo quando completou 43 anos. Desde novembro de 2008, acumula o comando da Placar e da Runner's World no Brasil. Já correu dezenas de 10 km, várias meias, quatro maratonas e um tantão de provas de revezamento.

Para 2010, promete fazer direitinho musculação e alongamento.
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