Ela é ruiva, e deliciosa! Sou capaz de muita coisa para passar uma noite em sua companhia. A ruiva piscou para mim na véspera da Meia Maratona do Rio. Achei que não era comigo, afinal estava acompanhado de minha filha Nina. Mas era mesmo eu a vítima da sereia. Estávamos no supermercado Zona Sul e ela me fez a proposta indecente: “Se fizeres um tempo decente no domingo poderás dormir comigo”. Olhei para o lado, ninguém por perto. A ruiva me tentava. Expliquei a ela que os últimos dias haviam sido difíceis, que eu não era mais um garoto, que não poderia prometer desempenho. Ela deu de ombros, como que dizendo “minha proposta é essa, você que sabe...”.
Nina estava distraída com as compras, não prestava atenção naquela conversa estranha. Argumentei. “Escuta, faz três semanas que não treino direito, lesão e viagem. Eu, que costumo rodar 40 quilômetros por semana, não fiz mais do que 30 nas últimas três. Podemos negociar um tempo mais camarada?”.
Ela foi irredutível. As ruivas são terríveis. Era tudo ou nada. Aí, jogou na minha cara a conta: 1 hora e 45 minutos. Menos do que isso, nada feito. Topei a empreitada, já sabendo que seria quase impossível cumprir o desafio. Este ano já tinha feito 1h42min, mas na ponta dos cascos. Em Buenos Aires, faz um par de anos, cravei um 1h43min. Nas duas oportunidades, na ponta dos cascos. No Rio nunca baixei meu tempo de 1h47min. Aliás, duas vezes estourei as duas horas.
A ruiva me venceu pelo desejo. Eu salivava por ela. O pacto estava feito. Na noite do sábado, porém, traí o meu próprio desejo. Homens. Meu amigo Pierre Aderne convidou para provar uns vinhos. Era só uma tacinha. O problema é que eram três garrafas diferentes. E tinha os violões do Pierre e do Márcio, a linda voz da Alexia, a mulher do Pierre. Desastre. Era quase meia noite quando me lembrei da ruiva. Menos de 1h45min ou nada feito.
O dia, por sorte, acordou nublado. Perfeito para fazer tempo na meia do Rio. Parti com gana. Nos primeiros 10 km, estava no objetivo. Na projeção, ficaria abaixo do tempo limite. Força. Três semanas treinando mal deixam estragos. Senti a falta dos longões, que foram cancelados por dores no quadril e por uma semana viajando a trabalho. Aos 15 km, começava a faltar gás. No túnel que sai de Copacabana tudo ficou turvo. Talvez pelo abafamento, pela falta de luz, o fato é que veio uma pequena tontura. O ritmo caía e no 18 km pensei em desistir de tudo. Aí apareceu a imagem da ruiva pronunciando pausadamente a chave do paraíso: u-ma-ho-ra-e-qua-ren-ta-e-cinco. Forcei a natureza e tirei uma energia não sei de onde. Cruzei a linha de chegada com o Garmin apontando 1h42min47s. Minha segunda melhor meia maratona. Mas o que importa isso? Tudo que interessava naquele momento era o que aconteceria à noite.
Estou falando, claro, de uma encantadora dama belga. Ah, Chimay! Cerveja inventada pelos monges trapistas, alguns a consideram a melhor do mundo. Concordo, por mais que pouco entenda do assunto. No sábado, já estava no caixa do Zona Sul quando a vi em promoção na estante. Peguei a garrafa e estabeleci o desafio de 1h45min. Estava omitindo uma outra mocinha por saber que esse é um blog família. O jornalismo sempre fala mais alto, porém. Havia outra na história. Quando botei a ruiva na cestinha, a loura Duvel, também Belga, protestou: “E eu?”. Fiquei com as duas. E naquela noite de domingo as desfrutei. Acompanhadas de um sanduichinho de Brie e mostarda escura.
21 Comentários:
George - Campinas (06/07/2009 @ 14:15)
Comentando sobre a ruiva, realmente ela é um estouro. Uma delicia inigualavel. Sou fã e degustador desta ruiva sempre que viajo para a Belgica ou Holanda. Vale a pena visitar a abadia onde é fabricada a cerveja e onde tambem se encontra um queijo maravilhoso. Parabens pela matéria.
George - Campinas (06/07/2009 @ 14:15)
Comentando sobre a ruiva, realmente ela é um estouro. Uma delicia inigualavel. Sou fã e degustador desta ruiva sempre que viajo para a Belgica ou Holanda. Vale a pena visitar a abadia onde é fabricada a cerveja e onde tambem se encontra um queijo maravilhoso. Parabens pela matéria.
Paulo F Figueiredo - São Paulo/SP (30/06/2009 @ 18:31)
Sérgio,
Parabéns pelo texto.Já havia feitos outras 5 vezes a outra Meia (aquela que larga tarde e tem o "bate e volta no Aterro).
Essa sem dúvida é muito melhor. Muito bem organizada. A retirada do kit junto com a feita de fitness tambemfoi muito bom. Com relação a prova, eu deu uma leve quebrada no final mais ainda assim fechei abaixo das 2hs. Ano que vem tem mais. Volto com certeza bara curtir a prova novamente e baixar o tempo....abraços
Gerrit - São Paulo (30/06/2009 @ 15:44)
Realmente, concordo que tomar gel durante uma prova de 5K ou 10K não faz muito sentido. Melhor coisa ( minha experiência ) é tomar um gel uns 20 minutos antes da prova de 10K e começar correr feito um 'louco' ( estou brincando ). Antes de você perceber falta de energia a prova já acabou. A meia maratona já é bem diferente. Quando passa de uma hora e quinze minutos as pernas começam a doer, começa faltar energia, e tudo muda. No meu caso até KM 15 / 17 vou feito um avião, tempo previsto de terminar a meia em 1:35 ... mas os ultimos 6K demoram mais de 30 minutos e acabo a prova em 1:45. Não fui para Rio, mas foi o que ocorreu comigo aqui em São Paulo este ano. Acho que é falta de energia. A proxima vez vou tentar comer rapadura ( vou experimentar antes nos treinos longos ).
Gerrit - São Paulo (30/06/2009 @ 15:44)
Realmente, concordo que tomar gel durante uma prova de 5K ou 10K não faz muito sentido. Melhor coisa ( minha experiência ) é tomar um gel uns 20 minutos antes da prova de 10K e começar correr feito um 'louco' ( estou brincando ). Antes de você perceber falta de energia a prova já acabou. A meia maratona já é bem diferente. Quando passa de uma hora e quinze minutos as pernas começam a doer, começa faltar energia, e tudo muda. No meu caso até KM 15 / 17 vou feito um avião, tempo previsto de terminar a meia em 1:35 ... mas os ultimos 6K demoram mais de 30 minutos e acabo a prova em 1:45. Não fui para Rio, mas foi o que ocorreu comigo aqui em São Paulo este ano. Acho que é falta de energia. A proxima vez vou tentar comer rapadura ( vou experimentar antes nos treinos longos ).
Ruy Barbosa Jr - Vitória-ES (30/06/2009 @ 12:29)
Sergio, você já pensou em escrever um livro? você já tem algum publicado? Acho que você deve invertir na produção literária. Achei fantastico o texto, dei muitas risadas. Na minha opinião de leigo, este texto possui ingredientes dos melhores livros que já li: sutilezas, humor, um certo mistério, etc. PARABÉNS! Eu iria dizer que você como corredor é um excelente escritor, mas parece que você é bom corredor também...daí fico somente nos Parabéns. abç Ruy
Laerte Ferreira - São Bernardo do Campo - SP - São Bernardo do Campo - SP (30/06/2009 @ 12:16)
Que belíssimo troféu: uma Chimay. Aliás que belíssimoS, pois tinha o acompanhamento de uma Duvel também.
Acho que agora entendi de onde veio a sugestão da matéria sobre cerveja e corrida (não lembro qual edição).
Saúde!
Laerte Ferreira - São Bernardo do Campo - SP - São Bernardo do Campo - SP (30/06/2009 @ 12:16)
Que belíssimo troféu: uma Chimay. Aliás que belíssimoS, pois tinha o acompanhamento de uma Duvel também.
Acho que agora entendi de onde veio a sugestão da matéria sobre cerveja e corrida (não lembro qual edição).
Saúde!
Laerte Ferreira - São Bernardo do Campo - SP (30/06/2009 @ 12:15)
Que belíssimo troféu: uma Chimay. Aliás que belíssimoS, pois tinha o acompanhamento de uma Duvel também.
Acho que agora entendi de onde veio a sugestão da matéria sobre cerveja e corrida (não lembro qual edição).
Saúde!
Doca - http://corridasdodoca.blogspot.com/ - sao paulo (30/06/2009 @ 12:13)
Um pequeno comentário pessoal sobre os gels... Eu sempre tomo nas provas e treinos. Dizem q é melhor tomar de 35 a 50 minutos de corrida. Eu tomava o Power gel, mas depois que ele começou a ser feito aqui, ele ficou um pouco mais 'encorpado"e mais dificil pra descer. O Gu eu me dei bem com ele. Algumas pessoas preferem o Exceed pq é mais líquido. O negócio é ir treinando. E sempre que for tomar, pare, toma o gel e um copo d´água na sequencia pra descer legal
Doca - http://corridasdodoca.blogspot.com/ - sao paulo (30/06/2009 @ 12:07)
Olá a todos! Encontrei o Sergio no final e ele estava muito inteiro, parecia que tinha corrido 5km. Parabéns pela prova, realmente essa é uma prova que respeita o atleta. Largada cedo, clima bom e percurso sem comentários. Meu melhor tempo lá no Rio era 2:00:32. Precisava de qualquer jeito melhorar. Fui bem melhor,fiz pra 1:52:11 e me lembrei muito do post do Lauter. Quando vi que ia melhorar e muito, pensei em ir mais devagar pra ficar ficar mais fácil de fazer um bom tempo na próxima. Não fiz isso, mas agora tenho que apertar os treinos!
Parabéns a todos!
Doca
Felipe Luis Matos - Brasilia (30/06/2009 @ 11:36)
Acredito que a questão do Gel é a adaptação a ele. Fiz uma maratona com Power Gel, no final ja tava totalmente empapuçado por ser m