Trombada na pista

Essa discussão aparentemente é paulista e tem o Parque do Ibirapuera como cenário. Não é. O assunto é nacional. Gostaria de saber o que está acontecendo Brasil afora. Abaixo, reproduzo um e-mail que recebemos de uma corredora chamada Guga Kamei contando o ocorrido uma noite dessas. As assessorias esportivas são potências em São Paulo. Marcos Paulo Reis e Mário Sérgio Andrade e Silva (nosso colunista) são gigantes com suas MPR e Run & Fun. O primeiro treina 1400 pessoas, o segundo, 1600. Com camisas amarelas e verde limão, eles dominam corridas e parques em São Paulo. E seus “soldados de tênis” marcham em pelotões animados. Vamos por partes. Primeiro publicarei o e-mail e uma reclamação que, desconfio, encontre eco nesse brasilzão que põe o pé na rua. Depois mostrarei a resposta de Marcos Paulo e, por fim, farei minhas considerações. Clique nos links para ler
Fala Guga
Fala Marcos Paulo Reis
Fala Sérgio, no caso, eu

22 Comentários:
Laerte Ferreira - São Bernardo do Campo (06/04/2009 @ 12:13)
Me lembrei deste post ontem durante a corrida de 5,5Km da Meia Maratona da Corpore. Apesar de toda tentativa de organização, pelo menos no meu caso, várias vezes preferi correr pela calçada onde estava mais tranquilo. Larguei no setor preto (se eu não me engano era o terceiro setor depois da elite). Antes de completar o primeiro quilômetro me deparei com pessoas andando ou correndo lentamente. Ou essas pessoas não tem noção do tempo em que completarão a prova ou mentem descaradamente na inscrição para poder largar na frente. Outra questão seria com as pesssoas que correm em equipe, não tenho nada contra, mas correrem em quatro pessoas, uma do lado da outra. Formam um paredão e para ultrapassar você tem que cruzar a rua de um lado para outro. Não existe discussão quanto à organização da prova pela Corpore, com 13 mil pessoas não tive problema nenhum desde a retirada do kit à dispersão. Mas estou começando a preferir as provas menores (como o Circuito das Praias). Para mim, está sendo mais prazeroso pela menor quantidade de participantes.
Adriana - Ubá/MG (01/04/2009 @ 15:22)
Assinei a revista ontem. Amei o site de vocês. E, vejo também super positivos os comentários sobre o assunto pautado aqui. É importante que o exercício nos traga prazer. Agora, a boa conduta e a atenção consigo e com o outro na hora da corrida em áreas públicas exige que cada aluno faça o melhor de sim como pessoa. Como disse o Gerrit em seu comentário aí acima, "Dar a preferência numa determinada situação no transito não é um direito seu. É um dever dar preferência." Corro na esteira em academias e depois que conheci esta revista me motivo mais e mais a cada dia. Meu objetivo maior com a corrida é EMAGRECER e me manter magra. Tenho 36 anos e malho há uns 10 TODOS OS DIAS, faço exercícios como: Power Jump, Body Pump, RPM e GAP. Agora acrescentei a corrida e um professor da academia aqui de minha cidade me motivou a usar um frequencímetro e malhar usando entre 65% e 75% da FCM. Estou na terceira semana tentando não ultrapassar, mas olhem... Ufa!!! Quando vejo às vezes estou em 90 e tantos. Abraços e parabéns pelas matérias.
Adriana Sandoval - São Paulo (31/03/2009 @ 19:57)
Muito bem pensado esse post. Não sou muito adepta dos treinos em parques, treino na pista, mas, mesmo nas raias, acontecem muitas trombadas. Uma das primeiras lições que aprendi quando entrei numa pista de corrida foi a sempre olhar se tem alguém fazendo tiro e estar sempre atenta quando tem alguém num ritmo mais forte que eu, correndo na mesma pista. Lá, nós podemos gritar "PISTA" que o pessoal se assusta e abre caminho na hora. Agora, sempre tem os desavisados, inclusive de assessorias esportivas, que trotam e caminham nas primeiras raias (que são "exclusivas" para o pessoal que faz tiro), não entendem o código "pista!" e acabam tomando aquele esbarrão e atrapalhando o treino alheio. Concordo que deve ser realmente difícil controlar as vontades e falta de respeito de todos os alunos, mas existe também a falta de orientação por parte dos treinadores.
Marcos Bigongiari - São Paulo (30/03/2009 @ 00:00)
Sou aluno do Marcos Paulo há cinco anos, e posso garantir a todos que ele e sua equipe técnica SEMPRE nos orientaram quanto a respeitar os outros corredores ou caminhantes. Além disso, existe uma preocupação muito grande com a nossa saúde, pois todos fazemos exames regularmente. Não sei como trabalham as outras assessorias, mas posso garantir que o MP é um líder, e que ele conquistou esse status por respeitar a todos. Uma prova disso é que ele conhece todos os seus alunos, sabe dos problemas de cada um, cumprimenta um por um nos treinos e sabe dizer sempre uma palavra de incentivo. Podem dizer que é Marketing, mas eu gostaria que em minha empresa tivesse um profissional de marketing como ele.
Gerrit - São Paulo (30/03/2009 @ 00:00)
Othon, acho bem interessante estes comentários sobre direito e dever. É isto mesmo. Quando fiz uns 4521 anos atras as aulas para tirar a minha carta de habilitação, o instrutor sempre falava que não pode tomar preferência, você tem que receber do outro. Ou seja, a preferência numa determinada situação no transito não é um direito seu. É um dever dar preferência. Isto, com certeza, se tudo munda pensasse e agisse assim, evitaria muitos acidentes e constrangimentos. Pessoalmente não corro em lugares cheios. No fim do ano 2008 ( ok, ok era uma epoca fora do comum ) corri 3 ou 4 vezes na Copacabana, Rio de Janeiro. Tem uma cilcovia, e tem um placa ( na verdade varias placas ) pedindo: Para andar de bicicleta ou para correr, utilize cilcovia, para andar utilize o calçadão. Guess what? Milhares de pessoas ANDANDO devagar na ciclovia. Até mesmo umas 124 baianas de branco, acupando uns 30 metros de pisto enquanto desciam de ônibus. E eu, como corredor, desviando o tempo inteiro de baianas, carrinhos de bebê, jovens, velhos, cachorros e gatos.
Camila Pupe - Rio de Janeiro (30/03/2009 @ 00:00)
Acho que o problema é essa coisa dos "direitos". Todo mundo tem direito, mas ninguém tem dever... Aqui no Rio o que eu vejo são pessoas que fazem paredões mesmo e não estão nem aí pra quem vem atrás. Esse pra mim é o grande problema. Não importa se vc anda, corre ou pedala... Se tem alguém mais rápido que vc (e sempre tem) o ideal é ficar um atrás do outro bonitinho e deixar a esquerda livre pros mais rápidos poderem ultrapassar. Simples... No Circuito das Estações vi extamente isso, grupos de caminhantes pela esquerda como se estivessem passeando. Custa fazer isso na direita?! A pessoa vai curtir mesmo a prova?! Claro que não!!! Tenho certeza que todo mundo tem direito de curtir a prova, mas tbm não acho justo quem quer puxar mais no tempo ter que ficar dando saltos e se espremendo entre os outros pra poder manter seu ritmo. E essa coisa da contra-mão tbm não dá!!! Moro na Tijuca as vezes corro no Maracnã. Tem marcado na pista o sentido, mas as pessoas insistem em correr ou andar ou pedalar no sentido oposto. Pq isso?! Acho que a resposta é falta de respeito com o próximo e NÃo acho que isso seja problema de assessoria, acho que é problema de falta de educação da população mesmo. Pronto, falei!!! Sérgio, parabéns pelas questões levantadas, sempre super válidas.
Paulo F Figueiredo - São Paulo/SP (30/03/2009 @ 00:00)
Treino em outra assessoria do maior clube esportivo da América Latina. Não conheço o MPR pessoalmente, porém o que posso afirmar é que ele é muito competente pois além de sua assessoria, treinar a Equipe do Pão de Açúcar e a Seleção Brasileira de Triathlon requer muita competência.Os seus comentários na Rádio BandNewsFm também não deixam dúvidas.Agora, voltando a questão da "trombada de frente" quem corre de ipod fica mais distraído e não percebe quando o pelotão de corredores está vindo, além é claro dos ciclistas que também não estão nada preocupados com quem está correndo;abraços
Walter Barbosa - São Bernardo do Campo (30/03/2009 @ 00:00)
Não conheço o MPR, não corro com assessorias, achei muito boa a resposta dele, mas na prática o pessoal de assessoria está mesmo pouco "se lixando" para quem não tem assessoria, parece que mais uma vez assisto aquela velha cena, típica do ser humano: "eu pago, sou uniformizado, organizado, vc. não, portanto primeiro eu, segundo eu, etc...". Capitalismo em sociedade com pouca educação funciona assim.
Clelio - São Paulo (30/03/2009 @ 00:00)
Ola amigos, Correr pode ser algo individual, mas não nos exime da convivência e algumas regras básicas de convivência são respeitar o direito dos outros e se por no lugar do próximo tratando-o como gostaríamos de ser tratados. Para que mora em SP é quase impossível fazer atividades ao ar livre sem encontrar outra milhares de pessoas com a mesma idéia. Apenas para citar 02 exemplos deste domingo: Pela manhã participei da prova Circuito das Estações, um prova ótima, bem organizada, belissima infra estrutura e por estes motivos reúne alguns milhares de pessoas ( creio que 5.000 pessoas)legal mesmo. Mas logo na saída vc já percebe na multidão de gente se aglomera na largada, pessoas que não tem condições de "fazer tempo" e estão lá para se divertir, nos primeiros quilômetros formam-se congestionamentos que duplicam os esforços ( manter o ritmo e ultrapassar). Bem, mas se tenho direito de estar lá eles também tem, certo ? Se estão apenas caminhando, paciência, peço licença e tento aproveitar a prova sem estressar com o congestionamento, afinal já tenho bastante stress no transito diário. Depois da prova fui com meus filhos no parque Vila Lobos passear de bicicleta, chegando lá as coisas não foram muito diferentes, milhares de pais tiveram a mesma idéia e toca desviar de outras crianças que também estavam aprendendo a andar de bike, alguns mais educados outros menos. A opção eram estas ou fazer uma corrida solitária, andar de bicicleta dentro do pateo do prédio . A minha opção fica pela convivência e ensinar isso para os meus filhos. Abs. a todos
Gerrit - São PAulo (30/03/2009 @ 00:00)
Legal foi que na meia-maratona de São Paulo no dia 8 de março, a largada foi dada em grupos de tempo. Os 'andadores' largaram lá atras.
Augusto - Piracicaba - SP (30/03/2009 @ 00:00)
Como disse o conterrâneo de Piracicaba, aqui ainda não acontece isso mesmo tendo poucos espaços legais para a prática da corrida. Faço parte de uma equipe recente aqui da minha cidade, a Fit Labore, cujo idealizador é carioca e lá no Rio assessorava várias pessoas e está aos poucos implantando na cidade essa cultura de correr com assessoria, uma coisa antes de conhecer o trabalho dele, não tinha conhecimento de outra na nossa cidade. E uma das coisas que o bom profissional prega é justamente isso, o companheirismo e a solidariedade. (meu blog: http://vamoscorrendo.wordpress.com/)
Fábio Melo - Piracicaba - Piracicaba (29/03/2009 @ 00:00)
Estou começando a correr e ainda não percebi esse problema em Piracicaba. Apenas gostaria de elogiar a conduta do Marcos Paulo Reis (que até então nunca tinha ouvido falar) em humildemente reconhecer uma falha - mesmo que sem ser responsável por ela - em lugar de arrogantemente defender suas posições, mesmo que tivesse razões para tal. Abs e bons e harmoniosos treinos a todos. Fábio Melo.
Paulo F Figueiredo - São Paulo/SP (29/03/2009 @ 00:00)
Sérgio, Volto ao tema: o problema não são as assessorias, mas as bikes em pelotões, para quem treinou ontem na USP sabe bem o que estou falando. Se durante a semana as bikes tem horário para entrar, no sábado deveria ocorrer o mesmo. Com relação a corrida, na USP por exemplo, aos sábados, temos mais de 3.000 corredores treinados de forma harmonica, pois já existe uma direção na qual a maioria segue e não exitem trombadas entre os corredores;Abraços, ps: No próximo domingo tem a Meia Maratona Internacional de SP - uma super prova,nos vemos lá!
Sérgio Xavier - Runners (29/03/2009 @ 00:00)
Como sempre, me espanto com o nível desse nosso debate. A discussão é realmente de alto nível, e não estou de adulação. Como diretor da Placar, vejo o tom dos comentários do futebol. A diferença é abissal. Podem conferir. Mas gostaria de dar mais um pitaco aí. No fundo, acho que deveríamos seguir a hierarquia do trânsito perfeito. Quem é o rei das ruas? O pedestre, depois a bicicleta, a moto, o carro pequeno, o furgão e por fim o caminhão. A lei do mais fraco, enfim. Quem pode menos se defender mais protegido será pelo sistema. Nos parques deveria ser assim. O caminhante deveria ser o prioritário, depois quem corre devagar, quem corre um pouco mais rápido e assim por diante. Na pracinha que dou meus tiros, muita gente caminha e a trilha é estreita. Entendo que a preferência não é minha, dou a volta por fora e vida que segue.
Ana Stela - Salvador (29/03/2009 @ 00:00)
Eu concordo com o Othon, tb tenho problemas aqui em Salvador, com os que caminham e com os grupos mais numerosos(eu tb faço parte de um grupo, mas bem pequeno). A questão está na falta de educação e de cidadania. Hoje vivemos em um mundo egoista e com pouca tolerância às diferenças. Todos aqui gostam de correr, cada um corre por um motivo e de uma forma diferentes. Quem é melhor? Quem está com a razão? É importante respeitar e sermos respeitados.
Marcel Pracidelle - São Paulo (28/03/2009 @ 00:00)
Por essas e outras, que eu, particularmente, não gosto de treinar em parques ou mesmo na USP. Gosto de correr pelas ruas, moro na leopoldina, onde as ruas são tranquilas e dá muitas opções de trajetos, antes de um longo, vou no webrun ou no mapmyrun, traço uma rota com a quilometragem desejada e saio sozinho, para mim é a melhor coisa, mesmo para intervalados, tem uma praça perto de casa que o contorno tem 1000m, ideal para evitar dores de cabeça...
Mário Jorge - Fortaleza (28/03/2009 @ 00:00)
Como as corridas de rua ainda estão em fase embrionária na capital cearense, ainda há bastante espaço para correr sem sofrermos esses "atropelamentos" citados pela colega. O Parque do Cocó é um bom exemplo, boa estrutura e bastante espaço livre de aglomerações. Há muitos corredores de bairros também. Em suma, sejam sempre bem vindos a minha terra...abraços!
Othon Durando - Brasília (28/03/2009 @ 00:00)
Apesar de não ser sociólogo ou antropólogo (sou Contador, professor e militar), tenho uma teoria que prega que nossa sociedade está vivendo sob a égide da Síndrome do Direito. Explicando: existe muita gente que acha que só tem direitos e que o próximo é obrigado a acatar todos esses "direitos", esquecendo-se da premissa básica da vida em sociedade que é: "o meu direito acaba onde começa o direito do próximo"!!! Se nos esquecermos que pra cada direito existe um dever, um limite, a tendência é que conflitos ocorram sempre em maior número. Então pra arrumar essa bagunça existe só uma solução: aprender a RESPEITAR o próximo (isso, pelo menos em tese, deveria ser ensinado em casa, pelos pais)!!
Gustavo - Assessoripolis (28/03/2009 @ 00:00)
Só não entendi o preconceito com as pessoas que correm com assessoria, pelo que ficou subentendido só as pessoas sem assesoria correm por prazer e as que correm com assessorias correm por qual razão? Tornaram-se profissionais? essa historia "sou legal pois nao sigo a modinha" ja esta desgastada ja minha filha!
Felipe Vianna - Rio de Janeiro (27/03/2009 @ 00:00)
Fala Sérgio! Aqui no Rio, faço parte da Acoruja e qdo treinamos juntos acabamos formando um pelotão também, mas não chega a 30 pessoas como o citado. Acho que para esse caso as palavras de ordem são bom senso e respeito ao próximo. Cada um no seu quadrado. Hehe. Não conheço o MPR, mas só pela resposta dele já dá perceber pq a assessoria dele está entre as melhores do país. Abs,
Paula - Limeira - SP (27/03/2009 @ 00:00)
Acredito que um pouco de bom senso resolveria... Tanto pra quem corre a mais tempo, para os iniciantes ou pra quem apenas caminha... Aqui em Limeira temos uma pista onde mtas pessoas vão apenas pra caminhar... Aí quem quer correr tem q ficar desviando o tempo tempo todo, pois não deixam uma faixa pra gente poder passar... O que acaba acontecendo é que quem quer correr, acaba utilizando a pista de ciclistas, já que são minoria por lá na maior parte dos horários.... mas quando aparecem fica uma confusão... pois aí corremos e atrapalhamos eles... Na rua os corredores vão reclamar dos carros e vice-versa... Todos vão tentar defender seu lado, e acredito que o equilibrio seja a melhor resposta...
Paulo F Figueiredo - São Paulo/SP (27/03/2009 @ 00:00)
Sérgio, Aproveito o tema para levantar outra questão: atualmente o nosso maior problema não são os outros corredores mas os ciclistas na USP. Aqui em São Paulo não existe outro local para treinos longos e, infelizmente, a rivalidade está aumentando. Se os ciclistas treinam em pelotões nós também corremos em grupos - que não são pequenos.Todos os sábados pela manhã já se torna frequente essas discussões. Sempre presenciamos um ciclista e um corredor batendo boca. Será que a rivalidade das torcidas organizadas está também no caminho dos ciclistas e corredores?Abraços,
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SobreAutor
Sérgio Xavier Filho tinha 42 anos e achava engraçada a coincidência númerica com os 42 quilômetros da maratona. Perdeu a piada e mais alguns fios de cabelo quando completou 43 anos. Desde novembro de 2008, acumula o comando da Placar e da Runner's World no Brasil. Já correu dezenas de 10 km, várias meias, quatro maratonas e um tantão de provas de revezamento.

Para 2010, promete fazer direitinho musculação e alongamento.
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