Vada a bordo, Bellucci

      É carnaval, vale quase tudo. Poderia falar então aqui de bateria, ala das baianas. Melhor dissertar sobre tênis, não?

      Há certas sutilezas que mudam a história. O jeito de relatar fatos, também. Quem esteve na noite de sexta-feira  no Ginásio do Ibirapuera viu o que aconteceu na partida entre Thomaz Bellucci e o argentino Leonardo Mayer. O brasileiro virou um jogo improvável com a ajuda providencial da torcida, até aí não há qualquer dúvida. A sutileza está na maneira como esse apoio veio. Não foi Bellucci quem atiçou a massa. Não foi a raça do brasileiro que levantou poeira nas arquibancadas. Foi o contrário. Em um espasmo coletivo, a torcida cobrou vitalidade do brasileiro que estava derrotado no jogo. Pela televisão, parece um movimento coordenado, jogador e público se fundindo em um só objetivo. No ginásio, fica claro que foi ação e reação. O tenista tomou um carão de quem pagou o ingresso e reagiu à bronca se esforçando pela vitória.

      No dia seguinte, a história se repetiu com um final menos feliz. Bellucci estava sendo subjugado na semifinal pelo italiano Filippo Volandri, um jogador com menos recursos técnicos, mas com uma vontade de vencer infinitamente maior. As dores físicas e psicológicas foram aparecendo em Bellucci que foi desistindo primeiro dos pontos, depois dos games, por fim dos sets. A torcida, mais uma vez, cobrou raça, vitalidade de seu jogador. Só que a resposta não veio. Bellucci perdeu por 2 x1 (5/7, 6/0 e 6/2) o Brasil Open. Pior do que a derrota em si, é o simbolismo dela. Bellucci desafinou na apresentação da escola e saiu correndo do palco. Público de tênis não tem a mesma paciência incondicional de um pai. A confiança se foi.

      Não foi a primeira nem a segunda vez que isso aconteceu. O jogador tem uma trajetória de recuos e vacilos. São várias as desistências em jogos complicados. Entre lutar ponto a ponto em uma partida encardida, parece bem mais cômodo dar logo uma bordoada na rede e voltar para o hotel.

      Apesar da força de seus golpes, da eficiência de seu saque, Thomaz Bellucci mostrou que tecnicamente pode ser um top 40, mas de cabeça está mais para top 500, como bem diagnosticou meu amigo Gio. Feito um certo comandante peninsular, Bellucci mais uma vez abandonou o navio. Difícil imaginar que conseguirá algum dia retomar o leme de sua carreira.

8 Comentários:
Prof Mario Mello - Sp (23/02/2012 @ 23:05)
Sou treinador de corrida, mas por 10 anos cuidei da preparação física de tenistas no Clube Paineiras do Morumby. Para nós brasileiros não basta estar lá, tem de dar show! Aqui vice é o primeiro perdedor, não que não seja, mas deveriamos dar mais valor aos nossos melhores representantes. Até entendo as observações do blog, mas estar entre os top 100 no tenis já deveria ser no minimo um grande feito! Vamos lá Belucci, quem não se lembra do Larri ser crucificado quando o Guga estava entre os 25, passou um tempo e ele foi o primeiro. Só o tempo dirá que futuro virá! Abraços Sergião
Mauro Leao - Goiania (20/02/2012 @ 14:28)
Acompanho mais tênis do que qualquer outro esporte, joguei bastante quando juvenil. Fico bastante feliz de ter um bom tenista representando o Brasil em todos os grandes torneios, o que ele já conquistou merece mais respeito. Top ten provavelmente nunca será, mas alcançou um ranking e tem se mantido, que fazia tempo que outro nao chegava. Compara- lo a Guga e covardia... Nem todo mundo vai ser o melhor do mundo, temos que apoiar mais nossos Barrichelos, estão dando a cara e lutando! Eu fico chateado dele perder alguns jogos "ganháveis" tb. Viver do esporte exige bastante coragem!
Sérvulo Nogueira - Brasília (20/02/2012 @ 13:48)
Saudações. Não é para crucificar o Bellucci, afinal ninguém entra em quadra para perder. Jogo ele tem para está ali próximo dos top 20 (como mostra a vitória sobre o Berdych), porém nesse nível cada partida é uma pedreira, o desgaste mental é grande, e aí talvez seja o que falta para ele evoluir e já está passando da hora para ele adquirir essa confiança e saber que pode (e deve) vencer determinados jogos. Não dá mais para cair em primeira rodada diante de jogadores inexpressivos. Ele tem de saber que deve chegar pelo menos as quartas, semifinais e finais e de vez em quando vencer um ATP.
Frotinha - SP (20/02/2012 @ 13:39)
É só um comentário, mas me choquei de ver que o nível é equivalente ao futebolês. Bizarro, para dizer o mínimo... Sobre Belucci e outros atletas semelhantes, talento é só uma parte da equação. Essa parte é de enorme contribuição quando falamos em chegar a ser um top 50 do circuito. Mas é mínima daí em diante, quando cabeça, foco, e (por que não?) simpatia fazem de um grande talento, um grande tenista. Mas desconsiderem meu comentário, pois eu não jogo nada de tênis... se tivermos sorte, quem sabe Guga, Fino, Federer, Nadal, Nole... sejam leitores do Correria e possam dar uma contribuição mais valiosa. Vada a bordo, cazzo!!!
Jardel - Londrina PR (20/02/2012 @ 12:06)
Comparar o Federer com o Belucci já é demais! Ridículo, pra dizer o mínimo. Federer não precisa provar mais nada a ninguém, além de ser um exemplo de conduta dentro e fora das quadras. Totalmente o oposto do Belucci. A CBT é uma vergonha, sim, mas aqui cabe a análise do jogador, que é o que está em foco.
Luiz - Brasília - Brasília (20/02/2012 @ 11:44)
O Bellucci não é nenhum amarelão, ele tem muitos problemas na parte psicológica, mas e aí? O Federer que é o maior de todos os tempos é muito fraco nessa parte também, sendo talvez um dos piores nesse quesito no top 15. O Bellucci é um garoto, se manter top 40 já é muito difícil hoje em dia. Ele realmente dá muitos vacilos que nos deixam irritados mas faz parte. Vergonha no tênis é a confederação brasileira que é uma porcaria. Ele ainda carrega o peso de ser a única esperança do Brasil em qualquer torneio. Vocês que falam mal realmente devem ser jogadores excelentes de tênis e que já participarem de vários torneios para entender a cabeça de um jogador.
Sergio - Araraquara - SP (20/02/2012 @ 11:22)
Adoro o tênis! Sou apaixonado pelo esporte tanto quanto pela corrida! Thomaz Bellucci é uma vergonha para o esporte! Jogador sem postura, sem vibração, sem carisma, temperamental, desconcentrado, apático...É um baita bônus pra esse cara estar em 38º lugar no ranking mundial. Não tem jogo pra isso! Não merece essa colocação! Quem assistiu Fernando Meligeni jogar sabe o que é dar o sangue na quadra, não desistir até o último ponto, virar jogos impossíveis e honrar o esporte. Bellucci é só...Bellucci.
Viáfara - petequeiro - SP (20/02/2012 @ 06:43)
Amarelou total... temos um grande amarelão do esporte, infelizmente. Não honra o país e nem o prato de comida que come. Ele deve se entregar, como um bom homem, até o final dessa luta, seja para vencer ou perder, afinal, o que vle é a caminhada, já dizia o Paulo Coelho
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SobreAutor
Sérgio Xavier Filho já correu de tudo. Do cachorro, da mãe que o obrigava a fazer o dever de casa, dos colegas maiores. Depois aprendeu a correr melhor, vieram as meias, seis maratonas e outras provas malucas mundo afora. Aos 45 anos, dirige um núcleo de revistas da Editora Abril que tem Runner’s World, Placar, Quatro Rodas, Viagem e Turismo e Guias Quatro Rodas. Escreveu o "Operação Portuga", comenta na Bandnews FM e dedilha umas coisinhas pelo @sxrunners no Twitter.
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