Corra na gravidez

Saiba como e quando correr nesse período tão especial da sua vida

Por Carolina Botelho

Iniciantes, não!!

Correr na gravidez faz bem, mas não são todas as grávidas que podem. Se você nunca correu e, agora que engravidou, quer começar, segure o ímpeto. Espere seu bebê nascer. “Só deve correr quem já praticava o esporte há pelo menos um ano e fez todos os exames pré-natais e cardíacos. É fundamental também o acompanhamento periódico por médicos e nutricionistas, para assegurar que mãe e bebê só terão benefícios, sem riscos”, diz Douglas Gil, professor do curso de Fisiologia do Exercício da Unifesp, especializado em atividade física e terapêutica para gestantes. O ginecologista Eliezer Berenstein, autor do capítulo “Exercício na Gravidez” do livro Exercício como Terapia na Prática Médica, também é a favor da corrida durante a gestação, desde que bem supervisionada. “Mulheres que já treinam podem continuar a correr, mas com intensidade de leve a moderada. Quem tiver predisposição ao aborto ou algum sangramento no primeiro trimestre, além de outras complicações, deve suspender a prática imediatamente”, diz.

A gravidez é um momento de cuidado e atenção. Mas isso não significa que a mulher deva abandonar a corrida. Saiba que esse tipo de atividade traz muitos benefícios para a gestante e o bebê. A dentista Carolina Auger, 32 anos, grávida de quatro meses, voltou a correr há um mês e afirma que se sente muito bem para praticar corrida. “Agora que a gravidez está tranquila, voltei a correr três vezes por semana cerca de 30 minutos. Como diminuí o ritmo, chego a fazer cerca de 4 km nesse tempo.” Carolina afirma que deve correr no asfalto e na terra batida até o início do sexto mês.

Mesmo que a gravidez esteja profundamente associada a mudanças anatômicas e fisiológicas, o exercício tem riscos mínimos e pode ser muito benéfico para a maioria das mulheres, conforme sinaliza o American College of Obstetricians and Gynaecologists. “A liberação de endorfina traz bem-estar e tranquilidade à grávida”, diz Cristina de Carvalho, treinadora e diretora-sócia da assessoria esportiva Projeto Mulher, em São Paulo. “A grávida ativa é uma pessoa mais leve, menos preocupada e ansiosa”, afirma Eliana Reinert, técnica de atletismo do Esporte Clube Pinheiros e treinadora da assessoria Correr/Mulher.

O cardiologista especialista em medicina esportiva Nabil Ghorayeb lista outras vantagens: “A mãe controla o peso, tem maior equilíbrio emocional e se prepara melhor para ajudar no parto. E o bebê acaba desenvolvendo mais tolerância ao estresse, tem melhor evolução neurológica e menos gordura”, diz.

Siga alguns cuidados

Uma vez liberada pelo ginecologista e pelo cardiologista, é preciso seguir alguns cuidados como deixar de lado a performance e focar no bem-estar e na qualidade de vida para ela e o bebê em gestação.

A dentista Maria Teresa Chypriades, 41, mãe pela terceira vez aos 40 anos, correu até dias antes de o caçula Luiz Felipe nascer. O treino foi adequado ao período gestacional por sua treinadora Cristina de Carvalho. Os tiros e treinos longos foram deixados de lado. Após o parto, a paulistana, que nas duas primeiras gestações (aos 31 e 33 anos) não praticou nenhum tipo de exercício, retomou a caminhada leve 20 dias após a cesariana e, dois meses depois, voltou a correr distâncias entre 5 e 10 km. “Em pouco tempo eliminei os 8 kg ganhos.”

Camila Giannella, 29, consultora de marcas, não se sentiu tão confortável quanto Maria Teresa e correu até o sétimo mês, apesar de praticar o esporte há dez anos e preferir distâncias curtas, como 5 e 10 km. O afastamento no sétimo mês ocorreu por conta de uma dor no nervo ciático, muito comum em mulheres grávidas devido à alteração do centro de gravidade e do peso extra na região pélvica: “Substituí a corrida na rua pelo transport [aparelho que simula passos com baixo impacto] e pela musculação na academia”.

Até quando?

“O momento de parar é muito particular. Fique atenta ao seu corpo, aos desconfortos que ele sinaliza”, afirma a treinadora Cristina de Carvalho.

Quando completou 35 anos, Beatriz Rio Branco, corredora desde os 28, planejou a primeira gravidez e, em cinco meses, soube que já gestava Antônio. “Descobri a gravidez quase no segundo mês. E participei da São Silvestre, em 2007, grávida de um mês. Foi umas das minhas melhores provas”, afirma.No entanto, preocupada com o fato de correr sem a liberação médica, procurou imediatamente o ginecologista, fez todos os exames pré-natais e recebeu sinal verde. “O ganho de peso, as articulações e ligamentos mais frouxos e a elevação da frequência cardíaca fizeram com que eu partisse para a caminhada, bicicleta ergométrica e hidroginástica. Camila e Beatriz sentiram os benefícios da atividade física na hora do parto normal e da recuperação pós-parto. O ginecologista Eliezer Berenstein completa: “Observo que mulheres com musculatura e o cardiorrespiratório fortes podem ajudar no parto normal, com mais força e com a mente mais tranquila, da mesma maneira que as que fazem cesarianas têm mais facilidade na recuperação pós-parto.”

Barriga em movimento

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